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ARTROSE DO COTOVELO
e características clínicas até o diagnóstico e tratamento indicados.
O que é a artrose do cotovelo?
Esta é uma doença degenerativa da articulação do cotovelo, mais especificamente entre a extremidade distal do úmero e próxima do rádio e ulna. Há um desgaste da cartilagem articular e, posteriormente, ocorrem alterações na estrutura óssea com formação de osteófitos (saliências ósseas), deformidade da superfície articular, incongruência entre os ossos. Limitação da amplitude de movimentos, dor e crepitações (estalidos finos) progressivas fazem parte do quadro clínico da doença, a qual é mais frequente no sexo masculino.
O que causa a artrose?
A artrose pode ser primária, ou seja, aquela na qual não sabemos qual é a causa específica, porém, em geral, relacionado com o excesso de uso (over use); ou secundária a outras condições, principalmente a artrite reumatoide e sequela de trauma. Sequela de infecção, decorrente de doenças neurológicas ou hematológicas, são outras causas mais raras.
Outros fatores a serem considerados na etiologia da doença são: idade, genética, além da atividade ocupacional (trabalho) e não ocupacional (esporte como halterofilismo, jiu-jitsu e outros esportes de contato, por exemplo). Outros exemplos de over use são os usuários crônicos de muletas e cadeira de rodas, assim como os paraplégicos.
Bursa Normal
Bursa Inflamada
Manguito Rotador
Como diagnosticamos e classificamos a artrose?
O diagnóstico desta doença é baseado no quadro clínico do paciente, caracterizado por dores à movimentação e esforços físicos envolvendo o cotovelo. Com a evolução, surge a crepitação e, inicialmente, a limitação do final da extensão dos movimentos, que num estágio mais avançado da doença, evoluem com perda da flexão e até enrijecimento da articulação (anquilose). Em geral, o movimento de rotação denominado de pronossupinação é preservado. Sintomas de comprometimento do nervo ulnar podem estar presente (10%) devido compressão por osteófitos no seu trajeto pelo cotovelo.
O diagnóstico é confirmado com radiografias simples, as quais nos permitem avaliar a gravidade do caso. Presença de corpos livres pode ser detectada, assim como diminuição do espaço articular, cistos subcondrais, rarefação óssea, osteófitos principalmente ao nível do processo coronoide e extremidade da ulna (olecrano), com obliteração das suas fossas.
O diagnóstico em geral é confirmado pelos exames de imagem. Inicialmente começamos nosso estudo com radiografias na pesquisa de alteração na estrutura óssea, como por exemplo a existência de esporão no acrômio.
Para avaliar a Bursa e os tendões pode ser feito a ultrassonografia, que é mais simples, porém o exame que nos traz mais informações é a ressonância magnética. Esta nos fornecerá principalmente informações sobre o estado do manguito rotador, ou seja, se o mesmo possui algum grau de lesão.
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ESPORÃO
ACROMIAL
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RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA
DE BURSITE
Como tratamos a artrose do cotovelo?
O tratamento inicial busca diminuir o nível de inflamação do cotovelo com repouso, medicação anti-inflamatória, modificação de atividades, especialmente de movimentos repetitivos e intensos como carregar um peso excessivo. Atualmente tem-se dado ênfase no uso dos medicamentos condroprotetores, tais como o sulfato de condroitina e glucosamina. A realização de infiltrações no cotovelo não é usual como em outras articulações, pelo acesso limitado e por termos mais de um espaço articular. Fisioterapia com intuito de analgesia, manutenção da amplitude de movimento e fortalecimento muscular. Na falha do tratamento conservador, está indicado o cirúrgico.
Nos estágios iniciais e, principalmente em pacientes mais jovens, podemos realizar uma artroscopia para desbridamento (limpeza), remoção de corpos livres (fragmentos de cartilagem soltos na articulação), sinovectomia (retirada de parte do tecido inflamado) e liberação capsular na tentativa de ganhar amplitude de movimento articular. Em alguns casos, pode-se ainda realizar a remoção parcial ou total de osteófito. A artroscopia é contraindicada caso haja presença de sintomas de compressão do nervo ulnar (dormência no 5º dedo da mão e atrofia de músculos na mão), contratura muito intensa de partes moles e ossificação em ponte (muito intensa).
A liberação dos movimentos articulares pode ser feita aberta, com via de acesso lateral e eventual associado a medial, caso haja acometimento do nervo ulnar (dupla via).
Outra técnica possível de ser utilizada é a artroplastia ulnoumeral de ressecção (Outerbridge-Kashiwagi), indicada nas artroses primárias e contraindicada nas condições pós-trauma. O acesso é por uma via posterior, resseca-se parte da extremidade da ulna (olecrano) e osteófitos, além de realizar um orifício de 1 cm na fossa do olecrano. Por meio deste, pode-se acessar osteófitos anteriores. Raramente ressecamos a cabeça do rádio como método coadjuvante.
Naqueles casos graves, em pacientes com menos de 60 anos, mais de 50% de acometimento da superfície articular entre a ulna e o úmero, dor, arco de movimento menor que 45o, sintomas do nervo ulnar, grandes osteófitos e alterações estruturais importantes, podemos realizar a artroplastia de interposição. Nesta realiza-se amplo desbridamento seguido de interposição de tecido, podendo ser a fáscia do tríceps, fáscia lata (da coxa) ou derme. Evitamos se possível ressecar a cabeça do rádio.
Já nos casos graves, com grande destruição da articulação e acima de 60 anos, ou seja, menos ativos, nós indicamos a prótese total de cotovelo. No entanto, esta possui índices significativos de complicações associadas como soltura (22%), fratura periprotética (7,3%) e infecção (5,4%).
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