Olécrano do cotovelo

Entenda os principais problemas do ombro e do cotovelo, suas causas
e características clínicas até o diagnóstico e tratamento indicados.

O que é o OLÉCRANO do COTOVELO?

Trata-se de uma estrutura óssea da região posterior e proximal da ulna. O olécrano representa a “ponta do cotovelo”, região que se encaixa na tróclea do úmero, sendo praticamente uma continuidade posterior do processo coronoide. Juntos formam a fossa sigmoide maior. Essa estrutura articula-se com o úmero promovendo estabilidade para o cotovelo. No olécrano insere-se o tendão do músculo tríceps.

Sua localização subcutânea torna-o vulnerável ao trauma e sua fratura corresponde a 18% daquelas do segmento proximal do antebraço e o desvio da fratura está diretamente relacionado a intensidade do trauma.

Qual o mecanismo de fratura do olécrano?

A fratura do olecrano pode ocorrer por 2 mecanismos:

– um trauma direto com o cotovelo em torno de 90o de flexão e o úmero na sua porção distal exercendo uma força axial contra a fossa sigmoide maior;

– um mecanismo indireto, por uma contração súbita e forte do tríceps durante queda com o cotovelo fletido, ocasionando uma avulsão do segmento proximal do olécrano, em geral de traço transverso ou oblíquo. 

Bursa Normal
Bursa Inflamada
Manguito Rotador

Classificação da fratura do olecrano?

A classificação mais clássica é a de Colton, baseada no desvio da fratura e estabilidade articular. São divididas em:

Tipo I – estáveis e sem desvio

Tipo II – instáveis A – fratura-avulsão

                                   B – traço transverso

                                   C – multifragmentadas

                                   D – fraturas-luxações 

 

    No entanto, a classificação mais reprodutível é a de Mayo (descrita por Morrey), baseada no desvio da fratura, cominuição e estabilidade articular. Dividida em tipos (ilustração abaixo): 

IA – sem desvio e com traço simples

IB – sem desvio e cominutiva

IIA – desviada (> 2mm) e estável

IIB – desviada e cominutiva

IIIA – traço simples e instável

IIIB – cominuta e instável

O diagnóstico em geral é confirmado pelos exames de imagem. Inicialmente começamos nosso estudo com radiografias na pesquisa de alteração na estrutura óssea, como por exemplo a existência de esporão no acrômio.

Para avaliar a Bursa e os tendões pode ser feito a ultrassonografia, que é mais simples, porém o exame que nos traz mais informações é a ressonância magnética. Esta nos fornecerá principalmente informações sobre o estado do manguito rotador, ou seja, se o mesmo possui algum grau de lesão.

Lorem ipsum dolor sit amet, adipiscing elit. Aenean commodo ligula eget dolor.

ESPORÃO
ACROMIAL

Lorem ipsum dolor sit amet, adipiscing elit. Aenean commodo ligula eget dolor.

RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA
DE BURSITE

Como fazemos o diagnóstico desta fratura?

Devemos suspeitar deste tipo de fratura já pelo quadro clínico inicial do paciente. Apresenta-se com dor, deformidade, edema, escoriação ou até exposição óssea da região, a qual, como dito anteriormente, é subcutânea. Na maioria das vezes, conseguimos palpar um espaço entre os fragmentos, quando há desvio entre estes e notamos crepitação local. 

    Após a suspeita clínica, realizamos radiografias as quais são suficientes para nos confirmar o diagnóstico. A radiografia na incidência de frente, nem sempre é evidente o traço de fratura, a o qual torna-se bem claro na incidência de perfil. Eventualmente podemos associar a tomografia computadorizada para avaliação, inclusive com a reconstrução 3D, especialmente nos casos com cominuição

Como tratamos a fratura do olécrano?

Ao tratarmos a fratura do olécrano, devemos levar em consideração a localização, o tipo do traço de fratura, o tamanho do fragmento, a existência de desvio e a estabilidade articular. Devemos optar pelo tratamento conservador destas fraturas, principalmente em casos com pouco ou nenhum desvio e que não estejam associados a instabilidade do cotovelo. Estes correspondem às fraturas tipo I de Mayo. Mantemos a articulação imobilizada entre 45 e 90o por aproximadamente 21 dias com controle radiográfico semanal para avaliar se há perda da redução. Após esse período, estimulamos movimentos passivos, porém com restrição da flexão. Após 6 semanas, em geral, obtém-se a consolidação e neste momento liberamos extensão ativa, flexão passiva e exercícios contra gravidade. Uma vez recuperado a amplitude de movimento, realizamos o fortalecimento muscular do membro.

Nos outros tipos de fratura, de acordo com a classificação de Mayo, o tratamento deve ser cirúrgico com o objetivo de se obter uma articulação anatômica, estável e funcional do cotovelo.

Como opções de métodos de tratamento cirúrgico, temos a técnica de banda de tensão e a fixação com placa e parafusos.

A banda de tensão é utilizada nas fraturas transversas ou obliquas curtas não fragmentadas (IIA). É contraindicada nas fraturas obliquas longas ou aquelas que se estendem distalmente ao ápice do processo coronoide, nas lesões ligamentares ou outras fraturas associadas.

Nas fraturas instáveis, com cominuição ou na presença de lesões ligamentares associadas, devemos optar pela fixação com placa e parafusos.

Como reabilitamos o cotovelo após essa fratura?

    O objetivo principal do tratamento é uma articulação estável e com boa mobilidade. Desta forma, devemos mobilizar o cotovelo o mais precocemente possível. Tanto na fixação com banda de tensão quanto com placa devemos mobilizar passivamente o cotovelo já nos primeiros dias. Após melhora da dor e diminuição do quadro inflamatório, iniciamos mobilização ativa sem carga até a consolidação, a qual ocorre, em geral, em torno da 6ª semana de pós-operatório. Após a consolidação, enfatizamos ganhar amplitude de movimento final e fortalecimento do membro afetado.

Reproduzir vídeo