FRATURA da ESCÁPULA

Entenda os principais problemas do ombro e do cotovelo, suas causas
e características clínicas até o diagnóstico e tratamento indicados.

Anatomia

A escápula é um osso fino e chato no qual insere-se diversos grupos musculares. Conecta o membro superior ao esqueleto axial (tórax), anteriormente por meio da sua articulação com a clavícula e posteriormente pela grande quantidade de músculos que a mantém em contato com o tórax.

A escápula pode ser dividida anatomicamente nas seguintes partes: corpo, espinha, processo coracóide, acrômio, cavidade glenoidal e colo da glenoide.

Características da fratura da escápula

Este tipo de fratura é raro e, geralmente, está relacionada a trauma de alta energia (70% acidentes de trânsito), associando-se a lesões de maior gravidade como as pulmonares e neurológicas. Em geral decorrem de traumas diretos nas regiões posterior e superior do tórax. No entanto, como a escápula é envolvida por vários grupos musculares, e devido a sua ampla mobilidade, acaba sendo protegida de grandes desvios na maioria das fraturas. A maior parte destas são extra-articulares (90%), ocorrendo em 45% no corpo e 25% no colo da glenoide.

Bursa Normal
Bursa Inflamada
Manguito Rotador

Como fazemos o diagnóstico da fratura da escápula?

Devemos suspeitar deste tipo de fratura principalmente na vigência de traumas de alta energia, politraumatizados e, por isso, muitas vezes acabam sendo tratadas após estabilização das lesões mais graves. Em geral, o paciente apresenta-se com dor e, ao examinarmos, notamos dor à palpação das proeminências ósseas como a espinha da escápula, o acrômio e o processo coracoide, edema e crepitação às vezes. Equimose e hematomas são menos frequentes e estão relacionadas ao grau de fragmentação da fratura. O braço do paciente normalmente está ao lado do corpo e o paciente apresenta dor ao movimentá-lo, principalmente ao abduzir (elevar) tanto ativo quanto passivamente.

Após a suspeita clínica, realizamos radiografias e, de preferência, associamos a tomografia computadorizada para avaliação da fratura, especialmente com a reconstrução 3D.

O diagnóstico em geral é confirmado pelos exames de imagem. Inicialmente começamos nosso estudo com radiografias na pesquisa de alteração na estrutura óssea, como por exemplo a existência de esporão no acrômio.

Para avaliar a Bursa e os tendões pode ser feito a ultrassonografia, que é mais simples, porém o exame que nos traz mais informações é a ressonância magnética. Esta nos fornecerá principalmente informações sobre o estado do manguito rotador, ou seja, se o mesmo possui algum grau de lesão.

ESPORÃO
ACROMIAL
RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA
DE BURSITE

Classificação da fratura

As fraturas da escápula podem ser divididas em extra-articulares e intra-articulares.

As extra-articulares foram classificadas por Hardegger (1984) em:

  1. Fraturas do colo anatômico lateral ao processo coracoide
  2. Fratura estável do colo cirúrgico medial ao processo coracoide
  3. Fratura estável do colo cirúrgico medial ao processo coracoide

As intra-articulares foram classificadas por Ideberg (1984)

em 5 tipos e modificada por Goss (1992):

Tipo I: fratura do rebordo glenoidal anterior (Ia) ou posterior (Ib)

Tipo II: fratura transversa ou obliqua da glenoide com traço em direção à borda da escápula

Tipo III: fratura transversa com traço em direção a borda superior da escápula envolvendo a base do processo coracoide

Tipo IV: fratura transversa em direção a borda medial da escápula

Tipo V: combinação dos tipos II e IV(Va) ou III e IV (Vb) ou II, III e IV (Vc)

Tipo VI: fratura articular cominuta.

Como tratamos a fratura da escápula?

As fraturas da escápula são estáveis e sem desvio em aproximadamente 90% dos casos, devendo ser tratadas conservadoramente com imobilização em tipóia por 2 a 3 semanas seguido de reabilitação. Nas fraturas extra-articulares do colo e corpo da escápula, os encurtamentos com mais de 1cm ou angulações maiores que 40o são indicações de tratamento cirúrgico. Mais atualmente, a literatura recomenda encurtamento maior que 2,5cm ou angulações maiores que 45o. As fraturas da espinha, acrômio e processo coracoide têm indicação cirúrgica quando desvio maior que 1 cm ou quando associado a outras lesões da escápula. As fraturas articulares devem ser reduzidas e fixadas na presença de desvios maiores que 3 a 5mm ou quando associado a instabilidade do ombro.

Com relação ao tratamento cirúrgico, realizamos a redução e fixação em geral com placas e parafusos, muitas vezes com mais de uma placa nos casos mais complexos.

Como reabilitamos após a fratura da escápula?

O acompanhamento pós-operatório é feito com utilização de tipóia por 4 a 6 semanas, dependendo da gravidade e da estabilidade obtida do caso. Após esse período, procedemos a reabilitação na busca do ganho de amplitude de movimento articular do ombro e escapulo-torácico, seguido de exercícios de fortalecimento muscular. Em geral, os pacientes retornam as suas atividades de vida diárias em torno de 4 meses. 

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