Início » Luxação posterior dom ombro
LUXAÇÃO POSTERIOR DO OMBRO
e características clínicas até o diagnóstico e tratamento indicados.
O que é a luxação posterior do ombro?
Este tipo de luxação do ombro é um quadro em que há o “deslocamento” posterior da cabeça do úmero em relação a escápula (cavidade glenoidal). Assim como a anterior, trata-se também de um quadro clínico de extrema urgência na área da ortopedia.
Como ocorre uma luxação posterior?
Uma das causas mais frequentes são as crises convulsivas (38%) e choque elétrico. Nestes ocorrem uma contração muscular muito intensa e descontrolada ocasionando a luxação posterior. Esta também é muito relacionado a traumas de alta energia como acidentes automobilísticos. Quedas com a mão apoiada no chão e com o cotovelo estendido, principalmente envolvendo esportes de contato como futebol americano ou aqueles com risco de queda como hipismo, por exemplo, também estão associados aos mecanismos de trauma. No entanto, estamos falando de uma doença do ombro rara, correspondendo em torno de 2% dos indivíduos com instabilidade do ombro.
Bursa Normal
Bursa Inflamada
Manguito Rotador
Como diagnosticamos a Luxação Posterior do Ombro?
O paciente apresenta-se com extrema dor na região do ombro, uma deformidade menos evidente do que a anterior e, da mesma forma, com incapacidade de movimentar seu braço, principalmente de realizar a sua rotação externa. No entanto, este encontra-se numa posição junto ao corpo, dificultando assim o diagnóstico. Na radiografia, muitas vezes não também não é tão evidente a luxação. Segundo a literatura, em torno de 80% dos casos, o diagnóstico passa desapercebido na urgência, durante o atendimento de pronto-socorro.
Tal quadro necessita ser suspeitado prontamente, o qual deve ser confirmado por radiografias antes de ser reduzido. Afastando a ocorrência de fraturas associadas, presentes em até 40% dos casos, seguimos para a redução da cabeça do úmero. Realizamos medicação para dor e, preferencialmente, anestesia no centro cirúrgico para procedermos a redução de modo suave, minimizando risco de fraturas no ato.
O diagnóstico em geral é confirmado pelos exames de imagem. Inicialmente começamos nosso estudo com radiografias na pesquisa de alteração na estrutura óssea, como por exemplo a existência de esporão no acrômio.
Para avaliar a Bursa e os tendões pode ser feito a ultrassonografia, que é mais simples, porém o exame que nos traz mais informações é a ressonância magnética. Esta nos fornecerá principalmente informações sobre o estado do manguito rotador, ou seja, se o mesmo possui algum grau de lesão.
ESPORÃO
ACROMIAL
RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA
DE BURSITE
Como conduzimos após a redução da primeira luxação?
Após reduzirmos a luxação, imobilizamos o braço imediatamente. No entanto, diferentemente da luxação anterior, devemos imobilizar o braço em rotação externa ou pelo menos em neutro para evitarmos nova luxação, visando também a cicatrização das partes moles posteriores.
Realizamos radiografias controles para averiguar se a luxação foi bem reduzida e se não ocorreu nenhuma fratura. Muitas vezes, uma tomografia computadorizada ou uma ressonância magnética podem auxiliar-nos no diagnóstico de lesões associadas após a fase aguda.
Uma lesão típica associada a luxação posterior é a lesão de McLaughlin. Trata-se de um afundamento na região anterior da cabeça do úmero ao chocar-se com a borda da cavidade glenoidal. O tamanho desta lesão é determinante no tratamento após redução da luxação.
Lesões menores que 20% do diâmetro da cabeça do úmero em geral são estáveis e evoluem bem com o tratamento conservador. Mantemos o paciente com imobilização em rotação externa, como citado acima, em torno de 3 a 4 semanas. Pode movimentar cotovelo, mão e realizar exercícios isométricos assistidos preferencialmente por um fisioterapeuta. Após esse período inicial de imobilização, reabilitamos a articulação com fisioterapia. O foco nesse momento, passa a ser recuperar a amplitude dos movimentos articulares e, posteriormente, fortalecer a musculatura toda do ombro.
Nas lesões entre 20 e 40% da cabeça do úmero, em geral a articulação permanece instável após a redução e necessitam de um tratamento cirúrgico. Podemos realizá-lo pela técnica aberta (convencional), com preenchimento da falha óssea pelo tendão do músculo subescapular (Cirurgia de McLaughlin) ou videoartroscópica, preenchendo a mesma falha sem desinserir o tendão e de forma menos invasiva.
Já nas lesões maiores que 40%, ou seja, nos casos mais graves, necessitamos preencher essa falha com enxerto ósseo de banco de tecidos ou até mesmo realizar a artroplastia do ombro (prótese).
Por que ocorrem recidiva das luxações?
A instabilidade posterior recorrente, em geral, ocorre por lesão do lábio posterior da cavidade glenoidal ou capsular no momento da primeira luxação. No entanto, muitas vezes essas estruturas não cicatrizam adequadamente. Isto faz com que o ombro apresente certa instabilidade posterior e torne-se mais vulnerável a luxar novamente. O paciente relata muitas vezes que traumas de menor intensidade ou mesmo movimentos específicos, levaram a luxações diversas. Torna-se típico que, quanto mais o indivíduo luxa o ombro, mais fácil ele desloca-se nas próximas vezes. Isso ocorre, pois, cada episódio de luxação proporciona novas lesões.
Como tratamos a instabilidade (luxação recidivante) do ombro?
Em geral, o tratamento da instabilidade posterior do ombro é de modo conservador. O objetivo deste é obter a estabilidade articular por meio do fortalecimento muscular, especialmente os rotadores externos. Os casos atraumáticos e aqueles associados a hiperfrouxidão ligamentar apresentam maiores índices de sucesso do que os traumáticos. Na falha deste tratamento está indicada a cirurgia.
Por sua vez, correção cirúrgica dependerá de alguns fatores como:
- existência de perda óssea na glenoide, ou até mesmo uma alteração da sua inclinação apresentando significativa retroversão;
- presença de lesão na cabeça do úmero (Lesão de McLaughlin);
- qualidade da estrutura labial e capsular;
- atividade física / esporte que o paciente pratica (esportes de contato contra-indicam reparo artroscópico, necessitando de utilização de enxerto ósseo)
- idade do paciente;
- frouxidão ligamentar do paciente;
Em resumo, o paciente tendo uma boa qualidade da cápsula e do lábio, pequena perda óssea e não praticando esportes de contato / competitivo que envolvam um risco maior, indicamos o reparo artrocópico da lesão. Nesta cirurgia reinserimos o lábio posterior para seu local anatômico de origem. Caso haja algum grau de frouxidão ligamentar, associamos um plicatura capsular para melhor tensionarmos a cápsula posteriormente, e minimizarmos assim o risco de recidiva das luxações.
No entanto, caso o paciente realize atividade física esportiva com as características mencionadas acima, tenha importante perda óssea do úmero ou da escápula (cavidade glenoidal) ou uma qualidade tecidual (cápsula e lábio) muito ruim, indicamos uma técnica cirúrgica com utilização de enxerto ósseo proveniente, na maioria das vezes, da crista ilíaca da bacia do próprio paciente.
Como é o pós-operatório do tratamento cirúrgico da instabilidade anterior do ombro?
Após o tratamento da instabilidade posterior do ombro imobilizamos a articulação com tipóia em rotação externa ou neutra pelo período de 1 mês. Neste período estimulamos o paciente realizar exercícios com o cotovelo e a mão, inclusive para atividades leves habituais, como digitação (com certa limitação), falar ao telefone e alimentar-se por exemplo. Restringimos os movimentos de rotação lateral e elevação do braço até que a cicatrização das estruturas reparadas ocorra, o que se dá neste período de 30 dias como mencionado acima. Após o tempo de imobilização necessário, aceleramos a reabilitação para recuperar a amplitude de movimento articular e, após isso, o fortalecimento muscular global do ombro.
Rua Borges Lagoa, 1605
(11) 91314-9697