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LUXAÇÃO ANTERIOR DO OMBRO
e características clínicas até o diagnóstico e tratamento indicados.
O que é a luxação anterior do ombro?
Trata-se de um quadro clínico de extrema urgência na área da ortopedia que é quando ocorre a luxação, ou seja, um “desencaixe” entre a cabeça do úmero e a escápula (cavidade glenoidal). Ocorre principalmente em pacientes jovens, praticantes de esporte e do sexo masculino.
Como diagnosticamos a Luxação Anterior do Ombro?
O paciente apresenta-se com extrema dor na região do ombro, uma deformidade típica e incapacidade de movimentar seu braço. Tal quadro necessita de diagnóstico urgente, o qual deve ser confirmado por raios-x antes de ser reduzido. Feitas as radiografias, evidenciando a luxação para anterior e afastando possibilidade de fraturas associadas, seguimos para a redução da cabeça do úmero. Realizamos medicação para dor ou eventualmente sob anestesia no centro cirúrgico, procedemos a redução de modo suave para evitar a ocorrência de fraturas no ato.
Bursa Normal
Bursa Inflamada
Manguito Rotador
Como conduzimos após a redução da primeira luxação?
Após reduzirmos a luxação, imobilizamos o braço imediatamente com tipoia e realizamos radiografias controles para averiguar se não ocorreu nenhuma fratura ou se não havia alguma fratura não diagnosticada inicialmente. Realizamos muitas vezes, uma ressonância magnética após a fase urgente para averiguarmos as lesões teciduais ocorridas. Atualmente, no primeiro episódio de luxação, em indivíduos jovens (abaixo de 30 anos), atletas e principalmente no lado dominante, algumas vezes indicamos o reparo artroscópico das lesões, pois assim o indivíduo retoma suas atividades de forma mais plena e com menores riscos de luxar novamente seu ombro.
Afastando a necessidade de cirurgia imediata, mantemos o paciente com tipoia em torno de 3 semanas, podendo movimentar cotovelo, mão e realizar exercícios isométricos assistidos preferencialmente por um fisioterapeuta.
Após esse período inicial de imobilização, reabilitamos a articulação com fisioterapia. O foco nesse momento, passa a ser recuperar a amplitude dos movimentos articulares e, posteriormente, fortalecer a musculatura toda do ombro.
ESPORÃO
ACROMIAL
RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA
DE BURSITE
Por que ocorrem recidiva das luxações?
No momento da primeira luxação em geral ocorre lesão do lábio anterior da cavidade glenoidal. No entanto, muitas vezes essa estrutura não cicatriza adequadamente, fazendo com que o ombro fique com certa instabilidade anterior e torne-se mais vulnerável a luxar novamente. O paciente relata muitas vezes que traumas de menor intensidade ou mesmo movimentos específicos, levaram a luxações diversas. Torna-se típico que quanto mais o indivíduo luxa o ombro mais fácil ele desloca-se nas próximas vezes. Isso ocorre, pois cada episódio de luxação proporciona novas lesões.
Como tratamos a instabilidade (luxação recidivante) do ombro?
O tratamento da instabilidade anterior do ombro dependerá de alguns fatores como:
- existência de perda óssea na glenoide (Bankart Ósseo) e na cabeça do úmero (Lesão de Hill-Sachs);
- qualidade da estrutura labial e capsular;
- atividade física / esporte que o paciente pratica (esportes de contato contraindicam reparo artroscópico, necessitando de utilização de enxerto ósseo)
- idade do paciente;
- frouxidão ligamentar do paciente;
Em resumo, o paciente tendo uma boa qualidade da cápsula, do lábio, pequena perda óssea e não praticando esportes de contato / competitivo que envolvam um risco maior, indicamos o reparo artroscópico da lesão. Nesta cirurgia reinserimos o lábio anterior para seu local anatômico de origem. Caso haja algum grau de frouxidão ligamentar, associamos um plicatura capsular para melhor tencionarmos a cápsula anteriormente e minimizarmos assim o risco de recidiva das luxações.
No entanto, caso o paciente realize atividade física esportiva com as características mencionadas acima, tenha importante perda óssea do úmero ou da escápula (cavidade glenoidal) ou uma qualidade tecidual (cápsula e lábio) muito ruim, indicamos uma técnica cirúrgica com utilização de enxerto ósseo proveniente, na maioria das vezes, de uma saliência óssea da escápula chamada processo coracóide. Procedemos uma osteotomia deste e o fixamos com 02 parafusos na região anterior das glenoideas. Esse procedimento é denominado de Cirurgia de Latarjet. Com essa técnica promovemos o chamado triplo efeito, no qual refazemos a falha óssea com o enxerto, a cápsula suturando-a ao ligamento coracoacromial e o 3º efeito propiciado pelo efeito “sling” proporcionado pelo tendão conjunto preso ao enxerto e que ao fazermos o movimento que propiciaria a luxação, ele age como um tirante reforçando a cápsula anterior também.
Como é o pós-operatório do tratamento cirúrgico da instabilidade anterior do ombro?
Após o tratamento da instabilidade anterior do ombro, imobilizamos a articulação com tipoia convencional pelo período de 1 mês. Neste período estimulamos o paciente realizar exercícios com o cotovelo e a mão, inclusive para atividades leves habituais, como digitação (com certa limitação), falar ao telefone e alimentar-se por exemplo. Restringimos os movimentos de rotação lateral e elevação do braço até que a cicatrização das estruturas reparadas ocorra, o que se dá neste período de 30 dias como mencionado acima. Após o tempo de imobilização necessário, aceleramos a reabilitação para recuperar a amplitude de movimento articular e, após isso, o fortalecimento muscular global do ombro.
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