TENDINITE CALCÁREA do OMBRO

O que é uma Tendinite Calcárea?

A tendinite calcárea é uma doença inflamatória que acomete o manguito rotador. É caracterizada pelo depósito de cálcio (hidroxiapatita) no interior dos tendões.

Por que ocorre?

A causa da tendinite calcárea é desconhecida. Sabe-se que há uma relação com hipovascularização do tendão, ou seja, circulação sanguínea prejudicada, nesta região, o que propicia alteração das suas fibras (transformação fibrocartilaginosa), seguidas de necrose celular e deposição de sais de cálcio.

 

O tendão mais comumente acometido é o do músculo supra-espinal (80%), podendo ocorrer, mais raramente, nos tendões do infra-espinal e redondo menor (15%) e subescapular (5%).

Quem é mais acometido?

As mulheres são mais acometidas e, principalmente, entre os 40 e 60 anos de idade. Em torno de 10 a 20% dos pacientes podem ter a doença bilateralmente e não há relação com atividade ou esforço físico. Em 20% dos pacientes ela apresenta-se de forma assintomática.

Evolução da Tendinite Calcárea:

Esta é uma doença considerada como “auto-limitada”, ou seja, tem resolução espontânea, porém, na maioria das vezes, de evolução lenta. Pode evoluir durante anos até que a calcificação seja reabsorvida espontaneamente.

Ela possui três fases distintas:         

  1. Pré-calcificação: ocorre hipóxia (diminuição de oxigênio), seguida de transformação do tendão em um tecido fibrocartilaginoso, em geral, indolor;
  2. Calcificação: dividida em 3 fases, formação da calcificação (na qual se acumula o cálcio), repouso (em que não há mais deposição do cálcio), caracterizada por dor de menor intensidade; e de reabsorção (calcificação reabsorve espontaneamente), na qual ocorre dor intensa e dificuldade de movimentar o braço.
  3. Pós-calcificação: substituição do cálcio por tecido de granulação, ou seja, de cicatrização. Paciente em geral apresenta-se com mínima dor, porém com função normal do ombro, sem alterações na radiografia.

Diagnóstico:

Fase aguda: o quadro clínico é caracterizado por dor de início espontâneo, que evolui para quadro de dor intensa, no geral em repouso, e que piora ao movimento de elevação. A limitação de movimento se deve pela dor. Essa sintomatologia é autolimitada, devendo durar de 3 a 7 dias, com diminuição gradual dos sintomas e melhorando a movimentação aos poucos.

Fase subaguda e crônica: os sintomas dependem do tamanho e da localização da calcificação. Se pequenos, proporcionarão pouca ou nenhuma dor. Se forem grandes, o quadro é mais doloroso e relacionado ao movimento do braço. Os sintomas variam de episódios de dor que podem se tornar crônica e constante, especialmente ao elevar o braço

O diagnóstico é facilmente realizado por meio de um raio-x simples evidenciando a presença da calcificação. Aliás, este é o melhor método de imagem para detectar a sua presença. 

O ultrassom é considerado um exame mais limitado. Já a ressonância magnética tem muitas vezes a importância de trazer informações adicionais dos tendões e para avaliar a migração da calcificação para dentro do osso, porém não é essencial para o diagnóstico e tratamento da doença. 

Como dito anteriormente, não sabemos quanto tempo levará para a calcificação sofrer a reabsorção. Sendo assim, fazemos o monitoramento desta por meio das radiografias. Ou seja, com este exame, em diferentes momentos, saberemos se a calcificação está aumentando, em repouso ou diminuindo. Esta nos permitirá ainda classificar (Classificação de Bosworth) a tendinite de acordo com o tamanho da calcificação em: 

  • pequena (< 0,5cm)
  • média (0,5 a 1,5cm) 
  • grande (> 1,5cm) 

Tratamento:

Como sabemos que, em geral trata-se de uma doença que terá resolução espontânea, cabe-nos tratar a dor do nosso paciente. Inicialmente introduzimos analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor, crioterapia (bolsa térmica gelada localmente) e fisioterapia para alívio da dor e realização de exercícios para evitar a capsulite adesiva.

Na grande maioria dos casos, o tratamento acima, denominado de conservador, é extremamente eficaz e obtemos o sucesso desejado.

No entanto, na ausência de melhora dos sintomas, podemos eventualmente fazer uma punção do ombro, preferencialmente guiada por ultrassom, para tentar drenar a calcificação, ou seja, tentar perfurá-la e acelerar o processo de reabsorção.

Outra opção, é a remoção da calcificação por meio da artroscopia, cirurgia na qual introduzimos uma câmera de vídeo e, por visão direta, drenamos a calcificação, aspiramos todo o conteúdo e, assim, aceleramos a resolução do quadro. Caso haja necessidade, se a calcificação for grande, realizamos uma sutura do tendão fechando a abertura e o espaço no interior do tendão.