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LESÃO DO MANGUITO ROTADOR
e características clínicas até o diagnóstico e tratamento indicados.
O QUE É?
O manguito rotador é um grupo muscular que participa dos movimentos do ombro. É formado pelos seguintes músculos: subescapular, supraespinal, infraespinal e redondo menor, os quais estão ligados ao osso (região proximal do úmero) por meio dos seus tendões. A lesão do manguito rotador é a ruptura de um ou mais tendão, comprometendo assim a função muscular. Ocasiona dor, e, nos casos mais avançados, limitação de força e dos movimentos do ombro.
COMO OCORRE?
A lesão pode ocorrer subitamente por um trauma ou pode ser considerada degenerativa. Nesta muitas vezes envolve a presença de movimentos repetitivos seja relacionado ao trabalho, como pelas atividades diárias ou esportivas, principalmente relacionados a elevação do braço acima de 90o.
Bursa Normal
Bursa Inflamada
Manguito Rotador
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é feito pelo quadro clínico (DOR, LIMITAÇÃO de MOVIMENTOS e FORÇA) associado a exames de imagem sendo a Ressonância Magnética o principal deles. A lesão em geral é progressiva e pode apresentar-se nos seguintes estágios: parcial menor que 50% da espessura, parcial maior que 50% da espessura, completa. Esta última ainda pode ser subdividida em pequena, média ou extensa de acordo com o grau de retração do tendão.
Quanto maior a retração, maior será também a atrofia muscular a qual sofre uma substituição por gordura e torna-se irreversível. Por isso a importância do diagnóstico precoce.
O diagnóstico em geral é confirmado pelos exames de imagem. Inicialmente começamos nosso estudo com radiografias na pesquisa de alteração na estrutura óssea, como por exemplo a existência de esporão no acrômio.
Para avaliar a Bursa e os tendões pode ser feito a ultrassonografia, que é mais simples, porém o exame que nos traz mais informações é a ressonância magnética. Esta nos fornecerá principalmente informações sobre o estado do manguito rotador, ou seja, se o mesmo possui algum grau de lesão.
ESPORÃO
ACROMIAL
RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA
DE BURSITE
TRATAMENTO
Uma vez feito o diagnóstico correto, devemos iniciar seu tratamento. Este envolve alguns fatores como a idade do paciente, grau de atividade, prática esportiva e função profissional exercida pelo mesmo. Em geral, nos estágios iniciais da lesão e mesmo nas lesões completas em indivíduos idosos, é preconizado o tratamento não cirúrgico, também denominado CONSERVADOR.
Focamos inicialmente na analgesia da articulação com auxílio de medicamentos, fisioterapia e eventualmente medidas alternativas como acupuntura. Uma vez aliviada a dor, nos preocupamos em fortalecer toda musculatura do ombro e da escápula, protegendo assim a articulação como um todo na tentativa de estabilizar a lesão e evitar a dor e progressão da mesma.
Em indivíduos jovens e ativos, nas lesões parciais também tentamos um tratamento conservador com o mesmo princípio citado acima. No entanto, nas lesões parciais maiores que 50%, assim como nas lesões completas, este em geral não apresenta alta taxa de sucesso. Em geral o paciente persiste com dor, evolui com piora dos movimentos e da força. Nestes casos está indicado o tratamento cirúrgico da lesão.
O reparo da lesão envolve a sutura do tendão ao osso no qual deveria estar ligado. Isto é feito por meio da ARTROSCOPIA, ou seja, uma cirurgia minimamente invasiva, na qual introduzimos uma pequena câmera na articulação do ombro. Esta possui a capacidade de ampliar a imagem, projetando-a num monitor e assim nos permite a reinserção do tendão ao osso utilizando-se de pequenos “parafusos” chamados de âncoras. A estas estão presos os fios que utilizaremos para sutura o tendão rompido.
Além disso, focamos também em realizar etapas na tentativa de evitar nova lesão como por exemplo a acromioplastia, na qual removemos um esporão ósseo do osso acrômio. Neste muitas o tendão sofre atrito, denominado de Síndrome do Impacto, e vai apresentando rupturas de suas fibras ocorrendo sua lesão, ou seja, a desinserção do osso.
REABILITAÇÃO PÓS-OPERATÓRIA
O paciente deve permanecer imobilizado em uma tipoia pelo período de 4 a 6 semanas. Este tempo é necessário para que ocorra a cicatrização do tendão ao osso. No entanto, neste período já iniciamos a fisioterapia, na qual atuamos no alívio da dor do paciente, proteção da sutura e exercícios que não envolvem risco específico ao reparo realizado.
Por exemplo, trabalhamos de imediato as articulações da mão e cotovelo e movimentação do ombro que não se relaciona ao movimento específico do correspondente a lesão. Desta forma, prevenimos a atrofia muscular generalizada do membro afetado, propiciando ao nosso paciente o retorno mais breve possível as suas atividades diárias.
Atos como digitação no computador, atender telefone, alimentar-se, entre outros, passam a ser possíveis de se realizarem poucos dias após a cirurgia, permitindo assim a muitos pacientes retornarem ao trabalho adaptado precocemente ou mesmo terem seus autocuidados independentemente de auxílio de terceiros.
Após o período de imobilização, o objetivo passa inicialmente ser a recuperação global dos movimentos do ombro com exercícios de alongamentos. Uma vez recuperada a amplitude de movimento articular e passado o período de “amadurecimento” da cicatrização do ombro, iniciamos o trabalho de reforço de toda musculatura do ombro, o que envolve não somente o manguito rotador, mas também a musculatura estabilizadora da escápula, da qual faz parte os músculos do nosso dorso ou costas.
Desta forma recuperamos a função articular, aliviamos a dor do paciente e prevenimos a recidiva da lesão. Em geral, o tratamento cirúrgico possui altas taxas de sucesso, porém o mesmo não é isento de complicações como a não recuperação de toda amplitude de movimento, persistência de algum grau de dor pós-operatória e até mesmo a não cicatrização da lesão ou re-ruptura do tendão. Quanto maior e mais grave a lesão, maior o risco dessas complicações, sendo importante enfatizar o tratamento precoce da lesão do manguito rotador.
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